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A Splendid Tray, de Anton Barbeau

  • Feb. 23rd, 2007 at 9:24 AM
por Pedro Damian

Power Pop, mas sem cair em fórmulas prontas


Anton Barbeau fixou-se como um dos ícones do power pop americano no começo dos anos 90, em meio a gente como Gigolo Aunts, Material Issue, Matthew Sweet e The Posies. Se no começo de carreira poderia-se afirmar que o som de Anton ficaria confortavelmente classificado entre os powerpoppers, a partir do quarto, A Splendid Tray, isso já não fica tão evidente, já que o músico passa a sofisticar cada vez mais sua sonoridade, com a inclusão de novos arranjos e instrumentos – reflexos de novas influências que ele começou a ter, especialmente, segundo ele mesmo diz, da psicodelia do final dos anos 60, do krautrock e até mesmo do pouco conhecido movimento anti-folk.

A Splendid Tray,com certeza não é um disco de power pop tradicional. Talvez seria honesto classificá-lo de neo-psicodélico. A procura por uma definição específica para o tipo de som feito por Anton Barbeau revela um fato que faz o artista enfrentar resistência por parte da mídia especializada. Ouvindo com atenção seus trabalhos, principalmente a partir de A Splendid Tray,, chega-se à conclusão que ele é inclassificável. O que é notável é sua capacidade de compor sobre temas pouco usuais, e quando aborda assuntos triviais, o faz sob um ponto de vista não convencional.

“Black & White Elvis” é a música que abre o quarto trabalho de Anton, com um ritmo furioso, quase punk. Já “Creepy Tray”, a segunda, essa sim é bem power pop, com guitarras bem marcadas e bateria ritmada, como manda a fórmula do gênero. Mas o tempero de Anton é irresistível, com um esquisito backing vocals antes do refrão que parece saído de alguma brincadeira em sessões de gravação.

“The Banana Song” assemelha-se a uma balada de hard-rock, com guitarra bem distorcida e os típicos vocais semi-demenciais de Anton. “Third Eye” tem uma levada bem pop, e a balada “Cockroach Song”, somente com violão e a voz de Mr. Barbeau, é particularmente emocionante, embora em uma certa passagem haja uma vaga lembrança de James Blunt.

Efeitos eletrônicos (influência do krautrock) marcam “Please Sir, I’ve Got A Wooden Leg”, e uma certa melancolia amargo é notável em “Gone”.
 
Se é difícil encontrar algum ponto de identificação entre as primeiras sete das 13 que compõe Splendid Tray, ao menos em termos musicais, a situação não muda até o final. . Outra balada, “Once In Royal David City” tem andamento épico e teclados esparsos que levam o ouvinte a uma outra dimensão. Bacana.

Preferindo apostar na diversidade, Anton Barbeau acaba por realizar um disco bastante agradável de se ouvir. Pena que seu trabalho não tenha recebido ainda o devido reconhecimento, principalmente na terra natal (Estados Unidos), já que a maioria de seus fãs são do Velho Continente.

Para ouvir "Third Eye", entre no site do artista e clique nessa e em outras dezenas de canções disponíveis, todas em MP3.

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